
A Fernando Pessoa
Depois de ler seu drama estático "O Marinheiro" em "Orfeu I"
1915
Depois de doze minutos
Do seu drama O Marinheiro,
Em que os mais ágeis astutos
Se sentem com sono e brutos,
E de sentido nem cheiro,
Diz uma das veladoras
Com langorosa magia:
De eterno e belo há apenas o sonho
Porque estamos falando nós ainda?
Ora issso mesmo que eu ia perguntar
A essas senhoras.
Álvaro de Campos
Vou começar dividindo com vocês uma versão do texto "O Marinheiro" feito pelo grupo Teatro em Trâmite de Florianópolis.
Participei como atriz desse lindo trabalho durante 6 anos, no qual 3 foram de pesquisa e montagem e 3 anos foram de apresentações por todo o Estado de Santa Catarina/Brasil.
Essa experiência foi um divisor de águas na minha vida, não só pelo próprio trabalho como também pelo fato de, durante as apresentações do espetáculo, eu ter conhecido meu marido Rodrigo Ferrari, cidadão português.
Foi uma grande vivência a construção desse trabalho, pela profundidade que o texto exigia e também pela escolha estética da direção: um espetáculo dentro da água e com música ao vivo.
Mergulhamos de cabeça na proposta e precisamos de 3 anos para chegar num singelo conforto que nos permitiu dividir com o público a nossa pesquisa.
Deixo aqui a ficha técnica da equipe:
Elenco :
Luciana Holanda
Manoela Rangel
Meire Silva
Samantha Cohen
Música, composição e execução:
Henrique Carvalho
Ivan Nabuco
James Crowford
Lucas Andrade
Direção e Cenografia:
André Francisco
Vívian Coronato
Figurino:
Luciana Chiacchio
Produção:
Maria Amélia Netto
Fotos:
Rafael Ninno
Marcos Maglia